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Slow-Play

10 de Fevereiro de 2006 por JotaPega

Slow-Play

A estratégia slow-play consiste basicamente em fazer check e call em quase todas as streets, ou seja, adoptar um jogo passivo quando se tem uma mão forte, com o intuito de maximizar os ganhos implícitos nas últimas streets.

Todas as estratégias que usamos no poker têm um objectivo comum: extrair o maior valor possível de uma mão. Posto isto, um dos principais erros que os iniciantes neste jogo cometem é fazer slow-play em demasia.

Fazer slow-play, na maioria das vezes, é contraproducente. Se o nosso objectivo é extrair o maior valor possível de um pote, como é que o vamos conseguir fazendo check? Nós construímos grandes potes apostando com os nossos monstros. Vai então contra todos os principios de um jogador do estilo TAG ou LAG e consequentemente contra o principio da protecção, onde se joga de uma forma agressiva para tentar que os nossos adversários desistam do pote.

Porém, existem situações em que não há necessidade de proteger a nossa mão, visto ela ser tão forte e é aí que, usando o slow-play, podemos maximizar os nossos ganhos.

Mas, como sempre no No-Limit-Texas Hold’em, todas as decisões estão dependentes de vários factores e a estratégia de slow-play não é indiferente à textura da board, ao número de jogadores que estão na mão, a acção pré-flop e essencialmente ao conceito de posição que é praticamente decisivo quando decidimos fazer ou não slow-play.

As vantagens do slow-play

Jogar o nosso monstro de uma forma passiva permite dar free cards aos nossos adversários e possibilita que eles melhorem a sua mão. Será mais difícil para o nosso adversário fazer fold a determinada altura, a uma mão que melhora ao turn, mas que mesmo assim não supera a nossa.

Existe também a situação onde o slow-play pode induzir o nosso adversário a fazer um bluff, uma vez que estamos a jogar a mão de uma forma passiva, nunca demonstrando que temos uma mão forte.

Outra situação onde o uso do slow-play é correcto, é quando estamos a defrontar um adversário ultra-agressivo e sabemos que ele é capaz de disparar forte em todas as streets com mãos fracas. Aqui temos a certeza que o nosso adversário vai construir um bom pote por nós e não há necessidade de estarmos a efectuar raises e fazer com que ele abandone a sua fraca mão.

Basicamente o slow-play é usado com o propósito de ganhar mais valor em situações em que, se formos demasiado agressivos, podemos comprometer esse ganho, ou então em situações em que sabemos que os adversários vão construir o pote por nós.

Exemplo:

Estamos a jogar contra um adversário extremamente agressivo. Já o vimos disparar multiple barrels apenas com A-high.

Estamos a jogar NL200 (full stack) e recebemos Tc Th na SB. O nosso adversário, em UTG, fez raise para $7 e todos fazem fold até nós. Decidimos apenas fazer call e no flop vem Ts 2c 5d.

Fazemos check ao nosso set e o adversário aposta $14. Nós apenas fazemos call.

O turn trás um 5s. Fazemos de novo check e o adversário dispara um second-barrel de $42. Novamente fazemos call. Temos neste momento um pote inflacionado pelo nosso adversário de $128.

O river é um As. Uma carta perfeita para nós, pois acenta no range do nosso adversário como agressor no pré-flop. Visto o adversário ter atingido provavelmente o A ele vai na maioria das vezes disparar um third-barrel no river e podemos perfeitamente jogar em check/raise all-in com o nosso top full-house.

Nem sempre é correcto fazer slow play a monstros:

Quando no flop atingimos um monstro (imaginemos “quads”) queremos ganhar toda a stack do nosso adversário. É muito dificil ganhar a stack toda de um adversário fazendo slow-play. E porquê?

Quando usamos o slow-play, na maioria das vezes vamos chegar ao river com um pote muito pequeno. O nosso objectivo de conseguir investir toda a nossa stack, com a melhor mão, quando temos um pote pequeno é muito difícil. É praticamente impossível apostar $200 num pote de $10. Certo?

Se tentarmos construir um bom pote desde o ínicio é provável que no final consigamos apostar confortavelmente toda a nossa stack.

Uma outra situação onde não é vivamente aconselhado o uso do slow-play é quando nos encontramos em potes com muitos jogadores. As variadas possibilidades de combinações de melhoria das mãos ao turn com o crescente número de jogadores num pote aumenta significativamente.

Exemplo:

Estamos a jogar NL200 (full stack). No cut-off recebemos 6d 6c. O jogador UTG fez raise para $6. Todos fazem fold até nós e damos call.


O botão e as blinds também fizeram fold e encontramo-nos em HU num flop 3c 6s Ac. O nosso adversário aposta $10. Em vez de fazermos slow-play ao nosso set, decidimos fazer raise para $45. O nosso adversário faz call.

O turn trás um Td. O nosso adversário faz check. Neste momento temos um pote de $102 e cerca de $150 na nossa stack. Apostamos então $70.
O nosso adversário após pensar algum tempo faz call. O river trás um 7d. Ele faz check e nós apostamos os nossos restantes $80. O adversário faz call com As Kc e com o nosso set de 6’s levamos um pote de $400.

Construíndo um pote desde o início torna mais fácil investir toda a nossa stack em jogo. Quando o pote é grande dá também ao nosso adversário odds incorrectas. Ele pode sentir que ao river está pot-commited, visto que já investiu cerca de 60% da sua stack e o pote está a oferecer cerca de 4 para 1 para o call, ficando extremamente difícil para ele fazer fold.


Em jeito de conclusão, tenho que admitir que há uma altura e um lugar certo para fazer slow-play, mas escolher esse spot não é propriamente fácil. O uso do slow-play não permite na maioria das vezes maximizar os ganhos, mas existem situações em que o devemos usar, por isso não desprezem esta estratégia.


Espero ter ajudado.
João “JotaPega” Monteiro